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CONTOS DE GARAGEM
Tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac. Cinco batidas no relógio, cinco minutos, cinco meses, cinco anos. Será o certo dizer para dar tempo ao tempo, ou, o tempo cura tudo: angústias, tristezas e decepções. Não se sabe a gravidade ou o calmante dessas palavras, até ouvi-las de alguém. Primeira pessoa a falar sobre o tempo é sua mãe, seu pai, quando você enfrenta a primeira decepção, seja ela amorosa, profissional, primeira briga com o melhor-amigo, quando descobre que aquele seu animalzinho de estimação, seu melhor parceiro de loucuras no quintal, não vive para sempre. Filho, essa dor vai passar, é só dar tempo ao tempo.
Mas essa dor não passa, é incômoda, esmagadora, confusa, consome seu coração e cérebro com lembranças e sentimentos amofinadores. E você, sem medo desse relógio parar de repente, faz a vida a prazo, esquecendo-se de reciclar amizades e namoros, por fobia de ficar sozinho. Deixa de intensificar um momento, por achar que o destino te reserva alguém diferente, dentro dos seus padrões de estética.
Não se deve esquecer que relógios têm pilhas e baterias, estas enfraquecem com o tempo, atrasando o seu dia, sem uma percepção inicial. Apenas é preciso trocá-las para que o medidor volte a lhe ser útil. Útil mesmo seria se o dono da loja me trouxesse uma xícara café enquanto conserta o meu relógio, estou atrasado.
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